Hoje é domingo, pé de cachimbo...
Vamos brincar? Mas de quÊ, eu brinquei a semana inteira, agora quero descansar.
Mestre, você fez isso comigo? Colocou-me no mundo. Eu estava tão protegido sem ter ninguém com quem falar, sem ter por quem ser ouvido, e agora me vem o senhor com essa. É verdade que estou muito mais satisfeito por aqui. Quero saber de gente com ouvidos cerrados para não ouvir só porque quem está lhes falando é um rato de esgoto que foi criado em casa desde o nascimento.
Sinto muito soberbos, mas de esgoto eu só tenho o título, fui muito bem criado numa bela casinha, foi uma criança que cuidou de mim. Pensam vocês, que só por causa de suas casas ostentadas eu não iria achar uma casa que me acolhesse, uma menininha que de mim cuidasse?
Mas, a gente, seja de esgoto, seja de laboratório, não perdemos a essência. A minha essência é a velocidade.
Como preserva a velocidade sendo criado por uma menininha que mal andava? Engatinhava e eu ainda nem podia me mexer, quase, de tão pequenininho.
Às vezes, seja você soberbo ou não, a melhor maneira de fazer bem é recolher a mão ao invés de esticá-la, principalmente, sendo esta mão, a mão de uma criança que engatinha. Nessa idade vocês bem sabem, tudo o que ela quer é esticar-se para o tempo, para o espaço, distância, querendo fazer tudo estar mais perto. Foi assim que nos conhecemos pela primeira vez. Éramos três irmãozinhos, deles eu não sei, mas da minha amiguinha nunca me afastei.
Estou querendo, muito, dizer uma coisa: O que vocês acham que o silêncio pode produzir? TE_LE_PA_TIA. Não é um bom modelo de comunicação? Quem não pode estar perto de quem ama tem que procurar um meio para se comunicar. Eu tenho o meu. Gostou?
Como nunca estivemos perdidos, resolvemos não largar comidinha na mata pra servir de trilha. Aliás, muitos de vocês, quando pensa no desejo de se comunicar com o seu semelhante pensa logo numa trilha, só que sonora musical.
Que música de vocês, vocês acham especial para um momento de telepatia com um rato de esgoto criado em casa?
Eu sou escutador, de muitas, muitas, muitas, muitas músicas. Era um bairro inteiro de músicas para ouvir.
Olhe esta:
Quando eu me lembro da gente sentado ali (para estar sentado serve em qualquer lugar, desde que se sinta com liberdade para observar estrelas. Mas, disfarçados rondando ao redor. Quanto aos amigos nenhum dos meus se perderam, em nenhum sentido.
Sou ligeiro porque não preciso ir adiante quando acho boa comida. Eu não sei das experiências dos outros, só das dela.
Escolheu a trilha sonora? Porque a minha é farta. Desculpe, vasta. Mas não escolhi nenhuma e depois, em geral, eu só me interesso do bem do começo, como essa.
Todo dia quando eu pego a estrada, quase sempre é madrugada e o meu amor aumenta mais. Por uma única pessoa? Não.
Comunicar-me posso com gato, aranha e tantos outros, amar, amo a todos e qualquer e ninguém quer isso. Ser amado por um qualquer?
Alcione cantou algo assim com qualquer dia.
Eu tinha vindo fazer uma trilha sonora especial, mas acho que ninguém ouviu(é melhor do que dizer não quiseram dar ouvidos).
Não sou menininhos que pôem comidinhas no chão para achar o caminho.
Se nunca sai de casa ou do bairro foi porque a música não deixou. Mas não era o som arrebento de hoje, eram vitrolas, mas todo mundo cantava as letras em casa, não precisava ir para a igreja para cantar.
Vim pegar minha maletinha, precioso, pastor. O mestre me jogou aos leões. Leões também precisam aprender com os pequenos como gastar energia brincando de pegar. Agora é a minha vez.
A musiquinha que entrou na lista agora foi essa: Qualquer dia, qualquer hora a gente se encontra, seja onde for, pra falar de amor. Como eu disse, para mim o importante é o bom começo, por uma razão bem simples. Em alguns começos o que se vê é uma tentativa de mandar uma mensagem para o mestre ou a resposta dele.
domingo, 27 de junho de 2010
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