Neste final de semana resolvi
escrever aqui. Como pode ver
não é caderneta de jornalista ,
que no fundo serve para a mes
ma coisa, anotações. Na minha
mão só tem uma utilidade. Ano
tar dívidas. Sei lá se jornalistas
deixam de dizer o que tem que
ser dito na hora para dizer de-
pois. Eu não, anoto na hora, na
presença e mostro. Conferir é
fundamental. Mas no tempo de
menininha as cadernetas eram le
vadas para casa. Mas que confian
ça. No seu engenho tinha disso be-
thânia? Crédito aberto? Foi assim
que aprendi a escrever._______
nesta cadernetinha, nesta mesmo
em que escrevo. Eu não sei nada so
bre analfabeto. Minha avó era, e co
mo sabia que era, o que fazia? Pedia
para quem sabia que lesse para ela
Quando você vive num lugar onde se
sente plenamente segura nem da lei
tura você precisa. Se você cumpre a
sua cota de responsabilidade do mi-
cro para o macro - porque o macro
quando começa num ponto, ele ape-
nas se estende, como um rio que cor
re, como um dique quieto.
Nós temos mais do que responsabi
lidade, compromisso, e, acredite is
so não é a mesma ___________
coisa. Responsabilidade é obriga-
ção, compromisso é vontade.
sempre ouvi dizer que jornalista
escreve diferente que é para tudo
o que ele quer dizer caber na ca-
dernetinha. Ainda é assim? ape-
sar do computador? Porque
quem determinava cortes e au-
mentos era o diagramador. Es-
sa figura ainda existe? Ontem
foi incrível, digitei todo o texto
na hora de publicar, Pimba!
Já era, sumiu o texto inteirinho
É a tal coisa do cheio e do vazio.
Até pensei, escrevi e apaguei.
Está acumulando. Não quero acu
mular. É assim que o vazio come
ça a ficar cheio. Que coisa, lem-
brei da Bíblia, ela parece não sair
de mim. A sunamita e seu azeite.
Só pensei, e pensar é só isso.
Que coisa, o separado juntou.
Ora, o que? o que definia a cader
neta. O resto, a imagem, a gente
faz com o diálogo. Profeta minha
situação é essa. O que você tem
em casa? Um pote de azeite e um
pão. Junte potes dos seus vizinhos
e faça isto. E assim fez a viúva. E,
pimba! Funcionou. A necessidade
suscita fé, além disso ela era bem
relacionada, uma boa comerciante,
quanto ao resto da história, parece
que ela só tinha um pote. Você sa-
be bethânia uma coisa que não ha-
via no nosso engenho. Salão de be-
leza, só mãos habilidosas. Nem
vou perguntar mas, no seu havia
disso? Os israelitas para construi-
rem a arca foi preciso recorrer a
espírito, no seu engenho, realmen-
te, além do seu nada mais se ouvia
falar que tinha. É, temos que sa-
ber com quem aprendemos so-
bre cadernetinha, e eu, não apren
di com sunamita. No meu, que não
é igual ao seu, nunca vi pedintes,
só trabalhadores, trabalhadores
afins. Nunca vi ninguém sair de
porta em porta pedindo o que
tivesse porque santo mandou.
Lá todo mundo sabia o signifi
cado da palavra obrigação. E,
aquilo que se dá, com certe-
za não falta. No eu nao
sei, mas no nosso, comida
era farta. Vou dar uma re-
sumida de jornalista.
Entre os israelitas e a gente
no nosso engenho só havia
algo de igual: Éramos uma
igreja a céu aberto. Mas que
tipo de igreja? Lá não se via
ninguém murmurar, porque
as mãos estavam sempre es-
tendidas, mas para ajudar e
não para pedir. No ato de pe
dir a gente trocava, no são joão,
no natal, na sexte-feira santa,
são pedro,. Nunca fomos che-
gados a beber, porque comer é
fundamental e trocar pratos
cheios é melhor que o cheio por
um vazio. Às vezes, alguém adoe-
cido e só não podia preparar
um prato, fazia amendoim cozido
Isso não tem nada a ver com com
partilhar em computador. é querer
mesmo que o outro prove daquilo
que foi muito bem preparado para
isso. Tempo era aquele que estava
a nosso favor para fazermos isso.
E isso é o que jornalista não tem
para ver, ouvir, dizer, mas adora
a conferência. São os seguidores
de profetas. Porque profecia jor-
nalística se constrói com obser-
vação. De que lado eu estou do
dique? Aqui, ó, o melhor. O lado
da fonte. Caminhar no engenho
velho é como andar sobre, lá em
cima tem vida. Não é como morro
que lá no alto, só a música de ange
la maria, mas não acontece nada, é
como montanha. Lá em cima, pra
chegar tem que levar bandeira. No
engenho velho, não, lá tem vida,
não é montanha, é abobada, é co
mo andar sobre a terra. A bola de
gude que vocês vêem quando re
solvem sair de órbita. É uma bo-
la completa e não tem rios que a
circunde. De fato ela lembra uma
mousse. Curioso, o que mousse
tem a ver com rato? Uma boqui-
nha tão pequenininha e vocês
mostrando ele com mordida gran
de. Lá não foi feito túnel, não.
Quem tá do outro lado é Carlinhos
Brown. Quer água? Tá com sede?
Tome água´mineral, água mineral
do candeal, você vai ficar legal.
Às vezes acontece, da cadernetinha
virar isso/isto uma tirinha .É, com
isso e com isto fazemos as setinhas, pa
ra cima, para baixo, para cima para o lado.
Publicado em 14.06.2010, }às 15h 08 minutos
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