Eu não sei de onde vocês tiraram os ditados: Sepultaram as esperanças ou atiraram uma pá de cal.
Desculpem os sentores, doutores, especialistas em palpites, mas quem atira cal não sou eu, mas colher de pedreiro, que atira na parede, a massa, chamada reboco, e quem atira cal nela é a trincha. Sou pá operatória, eu dou serviço para os outros trabalharem. Gosto de transformar o inútil em útil. Quanto ao sepultar as esperanças, quem inventou o ditado, nele que se deite. Eu sou pá de movimento. De esperanaça vocês nada entendem quanto mais de sepultamento.
Existe um tipo de pau grande que substitue a colher de pedreiro para economia de trabalho e tempo, eu , porém, posso dizer, sou insubstituível numa obra.
Um bom verificador de obras sabe disso muito bem.
Desculpem-me os entendidos, para vocês quem fiscalizar é mestre. No nosso bom reino quem fiscaliza é verificador de obras, ou seja; o Rato.
Sei que ele esteve em contato com alguns de vocês, comigo ele sempre esteve, comigo e mais do que o trabalho que eu fazia ele ouvia vizinhos perguntando uns para os outros. Tem uma que me empreste.
Vou fazer um adendo bem aqui. Amigos, minha realidade não tem nada a ver com pote. Sou Pá mesmo. Estou querendo lembrar vocês da famosa viúva sunamita dos potes emprestados da vizinhança. Foi por isso que disse ao mestre. Minha realidade é essa, mestre, nesse momento eu estava encostada numa parede qualquer. O mestre olhou-me e disse. Mas o que você faz quando está aqui. Respondi ao mestre. Faço o mesmo que o sr, mestre, trabalho, afinal foi você quem disse: O meu pai trabalha até agora, e eu também. Mestre, acho que vou chocar muita gente com isso, mas quem existiu por si mesmo? Alguém criou a mim, como alguém criou você. Mas quem me criou tem fama, ganhou muito dinheiro? Mas eu estou aqui, dizendo todo dia. Eis-me aqui. Sou auxílio. Quando eu descanso significa que outro alguém também está descansando. Fim.
Eu amava fazer parte operante disto que vocês chamam, efetivamente, construção. Em que casa eu não estive presente, quantas mãos não me seguraram, quantos não me lavaram, não me limparam, quantos tinham um lugar reservado para mim?
Pelo tanto que eu faço nunca fui premiado como vocês costumam fazer. Não tenho nada a receber de honra, de glória. Eu só preciso de um canto, e não era lugar de destaque, era lugar de descanso, porque quem trabalha precisa de descanso.
Desculpem os proferidores de ditados, mas sou tão útil, tão necessária, tão essencial que a terra não me comporta. Tem sempre alguém precisando de mim.
Pporque, senhores proferidores de ditados, nas catastrófes, nas tragédias, nas construções, este é o meu nome. esperança. Quem nunca me viu não sabem quem eu sou. Mas, pior do que ser proferidores de ditados são os roteiristas, e eu não preciso dizer porquê, mesmo assim, senhores roteiristas, ainda assim, mesmo para quem pratica o mal, continuo sendo quem eu sou. esperança.
Publicado em 20.06.2010, às 15h26 minutos
domingo, 20 de junho de 2010
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