domingo, 27 de junho de 2010

Escrito em 26.06.2010, 9h38

Amigos,
Vocês nem sempre tiveram rádio, nem sempre tiveram televisão, nem sempre tiveram telefone, nem sempre tiveram games, nem sempre tiveram máquina de escrever, nem sempre tiveram satélites, nem celular. De todas as invenções, quem esteve nos bancos das escolas com vocês? Graham Bell.
Vocês nem sempre tiveram geladeira, microondas, fogão. Aí vocês me respondem, mas esse tem não é o meu. Então me diga, amigos, quem dividiu o tempo para você ter a sua parte?
Algumas coisas da língua se aprende assim, como se fossem lançadas ao vento. Ouvi, não sei quando nem por quem, que quando se escreve nem seguido de outro nem (sinto tanta falta do sublinhado) não se põe vírgula entre eles, portanto, mesmo vocês não estando vendo elas (na digitação, resolvi fazê-las aparecer, mesmo se estiver quebrando alguma regra. Desculpe). Acho que o gramático não imaginou isso (às vezes fico sentido por pensar que preciso explicar mais para vocês verem, crianças). Por causa do isso que o gramático não imaginou pode ver sem que eu precise dizer do que estou falando? Esses nem todos que eu escrevi? Mesmo invisiveis, ali estão elas. Não se consegue ir muito longe sem fazer uma pausa, seja para comer, beber ou descansar, e, nesta caminhada não se pode esquecer de onde veio, de onde se deu a partida.
É como a história dos israelitas, segundo o que é memória para Deus, e que é semelhante para o homem, que só se refere a ela quando um pobre melhora de vida. Não esqueça a sua origem. (desculpem-me, mas estou saudosista, hoje. para onde foi o sublinhado?)
Deus não disse isso aos israelitas, o que ele sempre disse, foi: Lembre-se de que eu lhes direi da escravidão do egito.
Escravidão não é pelo trabalho que se faz (pesado), é pelo não acesso àquelas coisas que tornam todos os homens iguais. Saúde, que começa com saneamento básico (e olhe que eu sou catédra sobre o assunto. Quer uma patinha auxiliadora?) principalmente, salário pelo trabalho que faz com o qual possa escolher a cama onde se quer dormir, a mesa onde se quer estar assentado, a casa onde se quer morar, o bairro onde se quer viver. Enquanto não se ganhar suficiente para essas mínimas coisas, ainda se vive em regime de escravidão.
Mas o bom mestre, disse, em relação a palavra, comparando-a com a semente, que a semente que cai entre os espinhos ficam sufocadas, e que os espinhos são as coisas do mundo.(hoje estou tão saudosista, queria um mundo daquele jeito, sublinhado)
Criancinhas, vocês acham que a natureza pode sufocar as criaturas? O que sufoca o homem é a dependência que ele cria por tudo o que ele mesmo inventa.
Imagine o mundo, hoje, sem carros. Alguém, que não tinha carro, pensou num mundo assim, de fácil locomoção. Quem dera ele tivesse pensado nisso para poupar, libertar os jumentos, os burros, os cavalos.
Porque é impossível pensar em alguma coisa de construção se não for pensando na liberdade de alguém, de algum ser, isso, meu amigos, está no homem, e foi Deus quem fez ser desse jeito.
Entre a partida e a chegada este é o objetivo do homem. É como o empinar de uma pipa, nas mãos está o controle, e, a melhor sensação que se tem, quando se está empinando uma pipa é o soltar da linha quando ela está nas alturas.
Tudo o que se faz em cidades grandes as outras acompanham. A linha da pipa nem sempre foi enrolada em lata. Sabem na história de ester - outro dia passou na tv - Hamã disse ao rei, para justificar a morte dos judeus, que eles eram um povo que não seguia a lei do rei e que tinham seus próprios costumes.
Rio de janeiro já foi grande cidade, salvador, também. Lá, em salvador, não se saltava linha desajeitadamente, segurando a lata em uma e puxando com a outra. Lá era fazendo uso de um carretel mesmo. A pipa sabia, que era lívre por isso, pois era ela quem ia, lívre, espaço afora.
Eu amava as minhas crianças, depois, as minhas crianças nada tinham a ver com pipas alheias, para elas eram arraias, - um retângulo. O cachelo - um quase retângulo, menor que a arraia, e o piriquito que parecia um chapéu. O cachelo era feito com página de caderno, a arraia com papéis de seda, o piriquito´, também, era feito com página de caderno.
O que as minhas crianças aprendiam empinando arraia, castelo e piriquito? Segredo! (Dá para escutar a entonação de voz, naada de brabeza, suavidade).
O negócio, em salvador, era se fixar no carretel que permitia a arraia, cachelo e piriquito serem seus próprios libertadores.
Primeiro tinha que comprar o carretel ou procurar um costureiro ou alfaiate, arranjar um galho de árvores e ter o jeito especial de enrolar a linha, na verdade, quando a linha ia se soltando, elã fazia com que o carretel que as crianças seguravam parecesse mais um motor. Porque as crianças não segurava com uma mão e puxava com outra para soltar a linha, como crianças de cidades grandes, Elas formavam dois buracos com as duas mãos onde colocavam o galho que achou e enfiou no centro do carretel e a linha se soltava sozinha das mãos delas pela força da arraia, cachelo e piriquitos com o vento, lá no alto. Elas, portanto, se sentiam parte e não o controlador. Aliás, envolver pessoas para desenvolver um trabalho é coisa de criança. Adultos pensam que aprenderam depois que cresceram? Pobres crianças, estas. Foi a melhor idéia que tivemos, eu e o Gato, claro, para ensinar àquelas crianças, o condeito de eu sou, eu faço, eu sinto.
Ah, eu não quero terminar ainda, não.
Tá bom! AS nossas crianças aprendiam desde cedo a empinar arraia era com papel de balinha, ainda na janelinha, porque a liberdade não se aprende atravessando uma porta, mas aprendendo através da janela, o que/como se vê olhando através dela. E nada como uma boa convicção. Eu também posso.
Eu amava as nossas crianças.
Por que não tem mais os mesmo instrumentos de ensino?
Esse negócio de se quizer se adapte, e tome-lhe games, celulares, internet e sei lá o que mais. Vida bandida.
Como fazer para resgatar crianças perdidas?
Precisamos de mais um no grupo.
Então, com a palavra, a aranha.
Eu sempre ouvi dizer, sobre mim, que se apareço em canto de alguma casa é sinal de casa suja. Mas, se ando de um lado para o outro lá fora as pessoas não vêem as minhas téias e acabam destruindo-as sem se dar conta de que ela é fruto de trabalho.
Eu tinha ciúme daquela téia que vocês ensinaram para aquelas crianças fazerem.
Não, não vou tão alto, também, ninguém nunca viu meus filhotes me seguindo. Estou sempre só. Em que eu poderia ajudar alguém?
Tem muita gente como você, aranha, achando que não pode ser corrente, porque constrói seu próprio elemento de liberdade, mas no fundo está presa em si mesma.
O que ensinamos àquelas crianças, na verdade, é que uma arraia/cachelo/piriquito sozinhos são como uma aranha, mas muitas arraias são como muitas aranhas e você pode, finalmente, ir até as alturas.
Ensinamos que tudo tem preço. Arraia tem preço, cachelo tem preço, piriquito tem preço, por isso não ensinei como ensinavam no rio de janeiro, que o céu é lugar só para pipas.
Para as minhas crianças ensinei que, para quem quer voar tem arraia, para quem quer sentir o prazer de voar, tem o cachelo, claro, isso implica em que, tem que estar com seus deveres cumpridos. para quem quer experimentar voar, o piriquito, para quem quer saber o que pode fazer, arraia com papel de balinha.
Essa coisa de reciclável, de reutilizável no meio infantil não é de hoje. Mas vocês vão transformar games em quê? Lixo, pra gente grande brincar de ganhar dinheiro? Computador? Lixo. Controle remoto? Lixo. Mas, papel, papel de caderno usado, pode fazer você voar com ele. Mas o espaço agora está impraticável, Muitas ondas elétricas, magnéticas. Cabe como é corpos estranhos? Muitas torres, muitas antenas. É, o progresso chegou. O que é progresso? Se não tiver controles, se não tiver proibições, limitações, não é progresso.
E o que é proibir?
Proibir é o mesmo que diminuir alguma coisa das pessoas, principalmente espaço, limitar, principalmente o uso.
Quando o microondas surgiu no brasil, a moda era comida congelada, não a de supermercado. O microondas continua sendo vendido, mas para quê?
Progresso é exclusão, é separação dos que podem e dos que não podem, dos que são e dos que não são. Se não fosse a TV - a melhor invenção para o mundo - , que está ficando cada vez mais chata, até para as propagandas. Elas atraem que tipo de crianças?
Vocês estão precisando, urgentemente, autores do progresso de invenções melhores, porque essas de vocês estão expirando.
Desculpem, mas antes do computador de vocês eu já sabia o que era instrução programada e o que era uma ilha de fabricação.
Quem quer seda, compra.
Quem quer reciclado não paga
Pra balinha é bom ter quem pague.. Pôxa, criança sofre. Sofre? É o princípio da arte do convencimento.
Vocês tinham que ensinar, desde cedo, a criança, a fazer aproveitamentos do que tem em casa.
Cadê os alfaiates, as costureiras. Eles têm muito do que aproveitar quando o assunto é brincar.
Aliás, quem não trabalha o ttempo todo pensando nisso? Aproveitamento.
Amor, (não escrevi plural porque no tom que estou usando ficou parecendo chacota, isso nunca!)
O primeiro sinal de progresso está na linguagem. O homem reformula tudo, portanto, vamos ao aproveitamento. Esta palavra é antiga, mas serve para o progresso de você, que gosta tanto desse re-
. O que vocês fizeram as folhas de caderno em que escreveu?
Enquanto vocês estão na era dos recicláveis, eu estou no ora, ora, do aproveitamento.
Numa guerra Deus selecionou quem devia sair, como vocês fazem, ele sempre fez isso.
Agora a hora é essa, do aproveitamento.
Bom, segundo o meu entendimento, aproveitamento é o mesmo que destino dado a isso ou aquilo.
O mestre falou em talento.
Publicado em 27.06.2010, às 8h30 minutos

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