Aí Brasil,
Quando ouvimos sobre os perseguidos da história do brasil, já que não se fala dos mortos, como não tivesse a quem exaltar. Deles, vivos, o que é falado é dos que foram obrigados a abandonar o país e ter encontrado guarida em outros países onde se estabeleceram, cresceram e desenvolveram.
Perseguidos, perseguidos, desculpem-me, brasileiros, mas estou pensando em alguns perseguidos, cujas histórias são mostradas apenas para quem quiser ler.
Eu não sei o que é ser perseguido, embora seja negra, tenha vivido num ambiente de maioria negra, com costumes e tradições, de negros, em que havia avós e bisavós que conheciam e se agradavam de ser gege, nagô, etc.
Só se é perseguido quando traz para fora do seu ambiente o aspecto de força que representa, que qualifica as suas origens - costumes e tradições, sendo que cá fora existe um domínio, mas é um domínio que é marcado por força, por não conseguir aceitar o outro como ele é, simplesmente pela forma singular de ser.
Eu agora me lembrei do povo do egito, o que faraó, disse: Quanto mais os afligimos mais eles se multiplicam. Prazer é uma coisa que não se constitue em cima de força, de domínio, mas sim pela constituição de origem, e origem é uma marca que não se arranca assim tão fácil.
Bem, eu estava falando de perseguidos, e, não preciso falar sobre o negro perseguido. Eu confesso, nasci em 62, e até 86, no meu bairro, e em todos os ambiente nos quais vivi, por estar em ambientes de negros, eu era amada e respeitada, era feliz e orgulhosa de mim e dos outros, e isso é magnífico.
Quando eu sai do meu mundo e encontrei o mundo médio - médio por causa do fundamento social, religioso, familiar - e entrei para o mundo médio, o de buscar conquista intelectual, produzir um elemento intelectual, buscar a situação de médio, ter acesso a lojas média, hospedar-me em hotéis, usar meio de transporte evoluído - quando ainda não tinha promoções relâmpagos e nem tantas empresas de viagens aéreas, como hoje. Usufruindo de benésses bancárias, ainda não tanto como hoje, por causa de ter atingido o médio de ser funcionário público, quando ainda não tinha o universo chamado internet, nem os inúmeros cursinhos tão pouco.
Os médios ainda não tinham interesse de, com seu curso superior fazer concurso para preencher vagas para trabalhar em cargo de nível de segundo grau. Aí eu vi o que é perseguição, o que é ser maltratado, o que é desprezo. Desde o lugar onde trabalhei, na unb até nas lojas onde entrava e via várias vezes a desconfiança no meu cheque ser maior do que nas outras pessoas, as pré indicativa de ser média, mesmo sendo cheque especial, no meu cartão de crédito, que ainda não era como hoje, que qualquer pessoa pode ter ser cartão independente do rendimento salarial e profissão.
Eu, quando entrei na unb, logo no primeiro dia de registro, perguntei a responsável pelo setor de atendimento dos recursos humanos: O salário aqui é bom? Ela perguntou, por que? Eu respondi. Porque estou vendo muitos negros, aqui, isso significa que o salário não deve ser dos melhores.
Eu sei o que passei na unb, mas pelo menos ninguém nunca teve coragem de mandar eu apanhar cafézinho.
Desculpem-me, brasileiros perseguidos pela ditatura, pois, de 62 a 86 eu não sabia o que queria dizer ditatura, mas quando me afastei, por localização, do meu universo factual e só trisquei o dedo do pé no mundo que ainda estava sendo construido, se abrindo e eu ousei, ousei, sim, entrar nele, por não ter tido conhecimento do que era ditatura, tive coragem de calgar qualquer degrau que aparecese diante de mim.
Desculpem-me, brasileiros, sou uma negra brasileira, nascida em salvador, crescida no engenho velho de brotas, rodeada pelo tororó, pela fonte nova, pela federação, barris, garcia, vasco da gama, campo grande, etc. Um mundo, meus amigos. Sem contar o dique, o rio vermelho,, ondina, barra,. Quem precisa de carro, de ônibus, de ãvião tendo dois pés, duas pernas saudáveis?
Sinto muito, mas o sistema deu thu tchu, perdi um bom pedaço de texto, pra perder? Ai não sei se continuo, não. Vamos ver.
Nunca, em nenhum destes lugares por onde eu andei, onde eu frequentei vi soldados ou ouvi falar de ditatura.
Ditatura militar, de governo, eu não conheci próximo de mim, de 62 a 86. Mas não foi nenhum militar que ficou dizendo com atitudes, para mim, AQUI NÃO É O SEU LUGAR. VOCÊ NÃO DEVIA ESTAR AQUI, NÃO PODIA ESTAR AQUI.
Sei lá quando foi que surgiu a lei da discriminação, se ela vale mesmo. Porque lei, lei, meu amigo, é o mesmo que dizer: VOCÊS PERDERAM, VOCÊS FORAM VENCIDOS, seja a lei que for.
Venha cá, quando a ditatura (entenda bem), a ditatura militar, de governo acabou, foi promulgada alguma lei dizendo: NÃO HAVERÁ MAIS DITATURA NO BRASIL? Porque, seja quem for os que não morreram, mas que ficam no glamour de dizer, FUI OBRIGADO A SAIR DO PAÍS.
DITATURA ACABOU. Mas a que eu conheci, a ditatura do médio existe até hoje, mas eu não experimento mais.
Não sou mais jovem, não tenho mais cartão de crédito, não tenho mais cheque especial nem qualquer outro, (agora ele nem tem mais valor comercial). Viajar de avião, hoje, é tão comum - concorrência faz isso - Quem fala mais em classe... até parece ser brega.
Desculpem-me, eu saltei de um mundo para o outro, eu não olhei apenas pela janela e saí dizendo para quem não tinha coragem de colocar a ponta do dedo do pé no rio, aquilo que estive vendo.
Quando se olha pela janela basta na hora da perseguição, saltar, mas tem que ver para que lado, se para dentro para lutar, se para fora, para fugir, mas, será que deu tempo para avisar aos que estavam na beira do rio alguma coisa do tipo: FUJA! ou então LUTE!, mas com qual arma? Letra de música? Qual?
Vocês que me desculpe, mas eu conheço uma música: Não há impossível, não, tudo é possível, sim, só Deus tem este poder...
Além disso, para o homem sem Deus há impossível, mas para o homem com Deus, não há impossível!
http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/43867/
Com apenas 300 homens e a orientação de Deus, veja o que aconteceu. Juízes. 7.
Vocês conhecem essa história, essa do muro de jericó? Josué 6.
Perseguidos, isso é só o contrário de: SEJA BEM VINDO!
É verdade, caetano, eu lia muitas notícias em bancas de jornais, mas preferi biblioteca,
biblioteca dos barris.
Algumas letras de música a gente fica satisfeita só de ouvir a primeira parte.
http://letras.terra.com.br/elba-ramalho/253393
Será que todos que partem, partiram, que foram perseguidos dizem, disseram, dirão ou tem para quem dizer isso? Eu estou pensando em jesus quando pedro, antes de escrever isso (2pedro 3. 1-10), vocês acham que jesus não falou com ele?
A minha letra é esse (preferida) ou vocês preferem essa?
http://letras.terra.com.br/elba-ramalho/45647/
Ou esta: Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei....
Amigos, só quem nunca passou de triscar o dedo do pé no rio é que não sabe o que é ditatura do médio e o seu efeito.
Às vezes não é aumentar, melhorar o que você deixou mas é tornar o médio mais médio.
ABERTURA - Mais pessoas, ter mais acesso, que significa pessoas de menos condições adquirindo status, qualidade, ou seja; para o médio, inferiores, mas às vezes, o médio não pode pular para outro lado, status, pporque a realidade de abertura significa diminuir status (de quem vai atender, para quem vai vendar, a quem vai oferecer, e não é porque alguém melhorou de situação no tocante a sociedade, mas porque o comércio (falar de indústria é redundância) tem necessidade de expandir.
Desculpem-me, amigos, mas o comércio é o meio do caminho, é o rio, ele, junto com a indústria e as finanças são mãos estendidas para quem quer deixar o medo.(dedinho triscando a água do rio)
Isso é o que é a realidade/ditatura média.
Caminhando e cantando ouvindo a cannções, somos todos iguais braços dados ou não...
http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/
Quem de vocês, reallmente, acredita que cada pessoa , ao ver um passar pela linha média, considera/trata a ela como igual conforme cantado na música.
Não sei se voces repararam, mas o que a gente não conhece, não sabe escrever.
Sempre tive problema na pronuncia do T e do D
...Eu vou ficar nesta cidade não vou voltar pro sertão
pois sei que sinto no peito cheiro da nova estação...
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
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